MATÉRIA DE CAPA

FERNANDA MONTENEGRO

“O teatro não nos tira o âmbito humano…”



Quem: Fernanda Montenegro

Profissão: Artista

Nascimento: Rio de Janeiro

Data: 16/10/1929

Signo: Libra

Estado civil: viúva (do ator Fernando Torres)

Filhos: 2 – Fernanda Torres e Cláudio Torres

Fotos: Ensaio REVISTA BRAVO!


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“MULHER DA VIDA”
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Por Simone Costa
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Ela nasceu Arlette Pinheiro Esteves da Silva, em 16 de outubro de 1929 no Rio de Janeiro. Foi criada nos subúrbios cariocas e aos 15 anos já trabalhava como radiotriz e locutora na Rádio Ministério da Educação/RJ.

Quis o destino, para sorte nossa, que magicamente, Arlette incorporasse para sempre o que seria o seu maior e melhor papel: Fernanda Montenegro. Mulher de personalidade forte e traços marcantes já foi qualificada por um crítico como atriz dotada de “rosto de borracha” , tamanha sua capacidade de mudar a expressão e de se adaptar às características dos personagens, sempre de forma convincente. Apesar de extremamente versátil, Fernanda Montenegro considera-se uma atriz convencional. “Pertenço a uma geração não romântica, sem vedetismos. Não gosto de intérprete que só trabalha quando o centro do palco é seu. Também odeio elencos subservientes. Gosto de trabalhar com atores potentes, que participam do ritual, livres da competição destruidora.”

Essa grandiosidade, só encontrada em personalidades que reconhecem a humildade, lhe rendeu o convite para participar da vida política. Em 1985, foi convidada pelo então Presidente da República, José Sarney, para ser ministra da cultura. Obteve o apoio unânime de toda a classe artística e da opinião pública, mas recusou por saber não ser essa a sua real vocação.

Mulher de muitos prêmios e inúmeros talentos, foi homenageada por Milton Nascimento com a Canção “Mulher da Vida”.

A busca do ser, o desejo de se saber quem é, sempre foi um desafio na vida de Fernanda Montenegro. Talvez, por causa do silêncio profundo que essa busca costuma encontrar como resposta, Fernanda tenha se transformado tantas e tantas vezes ao longo da vida. Provavelmente, por causa dela, tenha optado pela carreira de atriz.

Numa de suas últimas entrevistas, concedida ao jornalista Armando Antenore da Revista Bravo! ela fala da influência de Simone de Beauvoir em sua vida, do existencialismo e de sua dúvida sobre a existência ou não de Deus. Afirma que é preciso, sim, ser seu próprio inventor – sem radicalismo, completando: “Deus ajuda a quem cedo madruga”.

Ela não é de muitos amigos, mas tem (ou teve) alguns sinceros: “amigos do lado esquerdo do peito”.

Revela o pacto de fidelidade que firmou (“estava escrito nas estrelas”) com seu marido Fernando Torres, em plena liberação feminina e no auge da revolução sexual. Segundo Fernanda este pacto (cumprido por ela) não a frustou, pois foi no palco – mais uma vez, para nossa sorte – que ela resolveu todas as suas fantasias. Um verdadeiro gesto libertário, uma grande transgressão…porque “o par que permanece é a subversão absoluta…”

ENTREVISTA

Foto: Divulgação

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PRÊMIOS:

Entre 1955 e 1959:

Melhor atriz pela Associação de Críticos Teatrais, com “Nossa Vida com Papai”.

Melhor atriz, Prêmio Governador do Estado de São Paulo, com “Vestir os Nus”.

Melhor atriz, da Associação de Críticos Teatrais de São Paulo, com “Vestir os Nus”.

Entre 1956 a 1962:

todos os prêmios instituídos por revistas e críticas especializadas em tevê por seu trabalho no Grande Teatro Tupi.

1962 – Melhor atriz, da Associação de Críticos do Rio de Janeiro.

1963 – Melhor atriz, da Associação Brasileira de Críticos de Teatro, com “Mary Mary”.

1964 – Melhor atriz, Troféu Governador do Estado de São Paulo.

1964 – Prêmio de Melhor atriz do I Festival de Brasília (cinema).

1964 – Prêmio especial do I Festival Internacional de Cinema do Rio.

1965 – Prêmio Molière: melhor atriz – Rio.

1967 – Molière de melhor atriz, com “A Mulher de Todos Nós” e “O Homem do Princípio ao Fim”.

1967 – Melhor atriz de tevê: Troféu Roquete Pinto.

1970 – Golfinho de Ouro, como personalidade do teatro.

1970 – Medalha melhor filme, com “Em Família”, no Festival de Cinema de Moscou.

1976 – Melhor atriz, da Associação dos Críticos Teatrais de São Paulo.

1976 – Troféu Governador Estado de São Paulo, com “Seria Cômico… Se Não Fosse Sério”.

1976 – Molière de melhor atriz, com “A Mais Sólida Mansão”.

1977 – Melhor atriz do Festival de Taormina, na Itália e o Molière de melhor atriz de cinema, com “Tudo Bem”.

1977 – Troféu de melhor atriz do Rio, dado por uma associação que vende ingressos de teatro a assinantes.

1980 – Leão de Ouro do Festival de Veneza, com melhor filme para “Eles Não Usam Black Tie”.

1980 – Atriz que mais contribuiu para o teatro, da Associação de Produtores Teatrais do Rio.

1982 – Molière especial de melhor atriz do Mambembe, com “As Lágrimas Amargas de Pedra Von Kant”.

1983 – Molière especial, com “As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant”.

1987 – Molière de melhor atriz, com “Dona Doida”.

1998 – Prêmios de Melhor Atriz por sua atuação em “Central do Brasil

1998 – Urso de Prata – Festival de Cinema de Berlim

1998 – Prêmio da Crítica no Festival de Cinema de Fort Lauderdale (EUA)

1998 – Prêmio Melhor Atriz do Ano – National Board of Review (Associação Norte-americana de Críticos de Cinema) EUA

1998 – Melhor Atriz – Festival Internacional de Cinema de Havana – Cuba

1998 – Melhor Atriz do Ano – Los Angeles Film Critics (Associação dos Críticos de Los Angeles) – EUA

Comendas

1971 – Comenda da Ordem do Cruzeiro do Sul, outorgada pelo governo brasileiro, pelos serviços prestados à cultura do país.

1983 – Chevalier des Arts et des Lettres (França).

1984 – Grande Medalha da Inconfidência (Governo Tancredo Neves).

1985 – Comendador da Ordem de Rio Branco – Grau de Cavaleiro.

1985 – Medalha Maria Quitéria – Salvador.

1992 – Medalha de Mérito Cultural – Portugal.

1993 – Ordem do Mérito da Bahia no grau Comendador – Salvador.


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