ARTIGO DEFINIDO

FOLHEAR REVISTA CONTEMPORÂNEA8888888

MULHERES MODERNAS

Por Cris Persicano*



Toca o despertador e os olhos teimam em não querer abrir. Uma vontade de ficar mais dez minutos na preguicinha gostosa de um acordar demorado, mas o dia responde rapidamente a mente… Acorda que o dia já começou e você tem muita coisa no check-list para fazer.

O levantar é mais que um acordar, é um eject. Andar cambaleante direto para o chuveiro, para tentar acordar os neurônios com uma ducha de água fria e entrar no ritmo da correria insessante que virá.

Cabelo molhado, roupa no corpo, bolsa a tira-colo e uma xícara de café com leite rapidamente degustado para dar forças ao engatar a primeira marcha.

“Simbora” que é hora de fazer acontecer!
A vida é rápida, intensa e cheia de novidades. O dia acontece num piscar de olhos, e não importa o que tenha que ser feito ou vivido, ela está pronta.
Uma mulher que pode ser mil e uma, uma ou mil.
Mulheres modernas não tem descrição, são um texto em formação que se aperfeiçoa dia a dia e que está sempre pronto para receber as novas idéias do mundo. Sem rótulos e contextos, mas muita imaginação.


* Cris Persicano é publicitária, consultora em mídias sociais e blogueira. Ama viajar, acredita em um mundo melhor e luta por isso. Adora futebol, Fórmula I, cerveja e sinuca. É assumidamente independente, mas muito romântica. Ela é… contemporânea.

Em seu blog Coisas da Cris ela fala sobre tudo que ela é e um pouco mais.

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Carta ao Leitor

A inabilidade de ser igual e o desejo de personificar a existência é que enche as prateleiras e estantes de livros, filmes e CD’s.

Vida organizada, distribuída em capítulos e episódios: isto é Arte.

Desde que somos crianças adoramos ouvir histórias e contos de fadas. Crescemos e nos rendemos aos filmes e novelas, ir ao cinema e ao teatro. A ficção está por toda a parte e nos ajuda com a realidade da vida.

Inventar pode ser uma catarse, nos desplugando – por alguns instantes – de um mundo exigente e repleto de cobranças, nos fazendo migrar para um faz-de-conta, feito de formas, sinais e tramas que independem de tempo e espaço. Algo análogo, onde o prazer fala alto. É uma bela saída para recontruir-se e reinventar-se. Isto explica um médico ter uma banda de Rock, um dentista fazer trabalhos de marcenaria nas horas vagas, uma psicóloga compondo versos durante as noites, uma arquiteta costurando bonecas entre um e outro projeto. A fome pelo conhecimento e sensibilidade é ilimitada.

Nossa matéria de capa trás uma profissional da ficção: Fernanda Montenegro. Ela garante que resolve(u) no palco toda a sua fantasia. Em entrevista ao jornalista Armando Antenore Fernanda fala sobre Simone de Beauvoir e a grande influência de o “segundo sexo” em sua vida, de feminismo e do existencialismo. Conta sobre o pacto de fidelidade que fez (e cumpriu) com Fernando Torres, e responde certeira sobre o possível antagonismo de ser feminista e mãe.

Por sorte a ficção não é exclusividade dos artistas e literatas, é sim uma reserva acessível e democrática. O cobrador de ônibus, o eletricista, o pedreiro, o taxista…todos acreditam que suas vidas possam se tornar um livro, um filme, uma música. Afinal são protagosnistas de suas próprias histórias. O desejo de contar sinaliza a ânsia que qualquer um tem de ser incomum.

Neste mês de março, em que se celebra a mulher por todos os cantos, o “universo conspirou” e estamos rodeados de mulheres – notáveis – que aderiram a esta empreitada participativa da Contemporânea: Cris Persicano em seu ARTIGO DEFINIDO fala sobre a MULHER MODERNA que faz acontecer, Maria Emilia Genovesi é convidada do ARTIGO INDEFINIDO e – como que num grito – convida, MULHER: VAMOS EM FRENTE? Na recém criada página POESIA CONTEMPORÂNEA a participação da portuguesa Sylvia Beirute com poesias profundas e pensantes, solidifica o desejo da REVISTA CONTEPORÂNEA em estreitar laços e interagir com a CPLP.

Para arrematar toda essa história de mulheres e mais mulheres, o MUNDO CONTEMPORÂNEO é a análise desta edição terceira por MARCELO ULGUIM, nosso comentarista.

Feita – providencialmente – por mulheres, sugiro que essa edição – também – seja degustada por homens inteligentes que apreciem nossos feitos, nossas conquistas e nosso espaço.

Boa leitura,

Simone Costa
Editora

Inspirada pelo poeta Fabrício Carpinejar

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Aos 80 anos Fernanda Montenegro declara: “Toda a minha fantasia eu resolvi no palco”


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